Bioplastia com PMMA: riscos, complicações e por que seu uso é proibido para estética

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um material sintético usado como preenchimento permanente. Ele não é absorvido pelo corpo e permanece no organismo para sempre.
Apesar de já ter sido usado para aumento de glúteos (a conhecida bioplastia) e outras áreas, a ANVISA proíbe o uso de grandes quantidades de PMMA para estética. Essa proibição se baseia em evidências científicas que mostram riscos graves e, muitas vezes, irreversíveis.
Já acompanhamos diversos casos na mídia e em redes sociais de influencers e famosos com sérias complicações de suas aplicações, necessidade de remoção cirúrgica de regiões da face e deformidades estéticas corporais. Mas o risco não é só estético.
Um estudo brasileiro recente, publicado em 2025, analisou 12 mulheres que receberam entre 150 e 900 mL de PMMA nos glúteos e desenvolveram complicações sérias — algumas anos depois da aplicação.
Riscos do PMMA: complicações que vão além da estética
O estudo revelou que os problemas não se limitam ao local da aplicação. Entre as complicações graves observadas, estão:
- Hipercalcemia (cálcio alto no sangue) – pode causar fraqueza, arritmia e até coma
- Pedras nos rins – presentes em metade das pacientes
- Insuficiência renal – em 8 de cada 10 casos, muitas vezes permanente
- Calcificação de órgãos – como válvulas cardíacas e pulmões
O mais preocupante: os sintomas podem surgir meses ou anos depois.
Como o PMMA prejudica o corpo
Quando o PMMA é injetado, o corpo reage como se ele fosse um invasor, formando uma inflamação crônica.
Essa inflamação altera o metabolismo da vitamina D, fazendo com que o intestino absorva cálcio demais e o osso libere cálcio para o sangue.
No início, o excesso de cálcio sai na urina (hipercalciúria), mas com o tempo os rins não conseguem mais compensar o aumento constante, levando à hipercalcemia. Esse processo danifica os rins e pode afetar outros órgãos.
Por que a ANVISA proibiu grandes volumes de PMMA
A proibição se deve a quatro fatores principais:
- Risco elevado e imprevisível de complicações
- Material permanente e de difícil remoção (infiltra nos tecidos)
- Possibilidade de sequelas irreversíveis
- Complicações tardias, surgindo anos após a aplicação
No estudo, 10 das 12 mulheres avaliadas ficaram com comprometimento renal permanente.
Existe tratamento para as complicações do PMMA?
O tratamento pode incluir:
- Medicamentos para reduzir o cálcio no sangue
- Hidratação intensa
- Cirurgia para retirada do PMMA (em alguns casos)
Mesmo assim, muitas pacientes apresentam melhora apenas temporária e voltam a ter crises.
Conclusão: PMMA não vale o risco
O PMMA em grandes volumes não é seguro para fins estéticos.
Se você busca aumento de volume ou rejuvenescimento, escolha opções seguras e com comprovação científica. Alternativas temporárias são preenchimentos com ácido hialurônico, já entre as mais duradouras são as próteses glúteas de silicone e lipoenxertia/lipoescultura . Consulte sempre um cirurgião plástico especialista.
Já fiz um blog anterior sobre o tema, se quiser relembrar clique aqui ou visite:
Referência científica:
Ianhez M, Rodrigues LQ, Ianhez LE, et al. Hypercalcemia and Renal Complications Following High-Volume Polymethyl Methacrylate (PMMA) Injections: A Case Series. Aesthetic Plastic Surgery. 2025. doi:10.1007/s00266-025-05081-7
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