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Estudo Revela Os Desafios Da Cirurgia De Contorno Corporal Em Pacientes Pós-Bariátrica. Veja As Descobertas.

por Dra. Marcela Scarpa

Proteínas da pele e seu papel na cirurgia de contorno corporal

A cirurgia plástica de contorno corporal após cirurgia bariátrica tornou-se mais importante devido ao aumento crescente do número de pacientes que procuram tratamentos eficazes para a flacidez da pele resultante.

Além disso, estudos recentes mostraram que esses procedimentos potencializaram a perda de peso dos pacientes e podem melhorar o controle do IMC a longo prazo.

A obesidade mórbida é reconhecida como uma doença inflamatória sistêmica, já que o tecido adiposo atua como fonte de citocinas pró-inflamatórias.

Esse assunto foi tema para um post anterior, que você pode relembrar clicando aqui.

O conhecimento dos mecanismos responsáveis pelas doenças associadas à síndrome metabólica permitiu o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para esse grave problema global de saúde pública.

Da mesma forma, estudos dos fenômenos que afetam a pele de pacientes com obesidade mórbida e daqueles que obtiveram grande perda de peso, forneceram informações capazes de melhorar os tratamentos, incluindo os resultados da cirurgia de contorno corporal.

Grande perda de peso e remissão completa ou melhora dos parâmetros clínicos e laboratoriais das principais comorbidades associadas à síndrome metabólica tornaram a cirurgia bariátrica o seu tratamento mais eficaz.

No entanto, ao contrário das doenças típicas, a pele pós-cirurgia mostra sinais claros de deterioração clínica, como elasticidade reduzida e turgor inversamente proporcional à progressão da perda de peso.

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O colágeno no corpo pós-bariátrica

O conhecimento sobre o comportamento dinâmico do colágeno na pele, capaz de alterar sua estrutura, interações com outras proteínas e funções biológicas pode revelar as causas da sua diferença nos tecidos.

A análise proteômica e imunohistoquímica permitem determinar a composição proteica da pele, além de comparações entre grupos de pacientes.

As diferenças observadas entre a flacidez da pele pós cirurgia bariátrica e a pele após perda de peso sem cirurgia não são bem conhecidas a nível molecular.

A observação clínica revelou características e comportamentos significativamente diferentes ao longo do tempo, gerando respostas importantes nos resultados das cirurgias de contorno corporal praticadas em 2 grupos de pacientes.

Em um estudo do Departamento de Cirurgia Plástica do Programa de Pós-Graduação em Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto6, fragmentos de pele (contendo derme e epiderme) foram removidos do abdome de 32 pacientes, distribuídos em 3 grupos: obesos mórbidos, grande perda de peso sem cirurgia e pós-bariátrica (durante procedimentos de bypass gástrico em Y de Roux, ou abdominoplastia, imediatamente congelados em nitrogênio líquido e armazenadas).

As amostras foram submetidas à análise proteômica e os perfis proteicos dos grupos foram comparados.

Testes estatísticos foram realizados para comparar os grupos B (grande perda de peso sem cirurgia) e C (pós-bariátrica).

As descobertas do estudo

O aumento do número de pacientes com grande perda de peso gerou demanda por cirurgia plástica.

Inovações técnicas foram propostas para alcançar melhores resultados na redefinição do contorno corporal.

No entanto, as características clínicas da pele pós-bariátrica, diferentemente do tecido normal, representam grandes desafios para o desenvolvimento desses novos procedimentos cirúrgicos.

O conhecimento dos processos que ocorrem na pele após grande perda de peso permanece incompleto.

O perfil do HP, biomarcador de inflamação e estresse oxidativo,  indicou que a lesão inflamatória sistêmica se estende à pele de pacientes com obesidade mórbida (grupo A) e permanece ativa mesmo após grande perda de peso (grupos B e C).

Tratamentos capazes de combater o processo inflamatório na pele de pacientes submetidos à perda de peso podem reduzir os efeitos deletérios da HP nas colagenases e elastases, reduzir os focos de fibrose tecidual, preservar a elasticidade da pele e melhorar o resultado estético das cirurgias de contorno corporal.

O COL14A1 é um tipo de colágeno que regula a fibrinogênese e coordena a organização estrutural do colágeno tipos I, III e V.

O colágeno COL14A1 mostrou menor expressão na pele de pacientes pós-cirurgia bariátrica (grupo C) em comparação com o grupo B (grande perda de peso sem cirurgia), sugerindo deficiência adquirida desse colágeno nos indivíduos submetidos ao procedimento cirúrgico.

Portanto, a composição estrutural e a organização molecular do colágeno em pacientes com cirurgia reparadoras pós-bariátrica tornam-se desordenadas, o que difere dos processos na pele de pacientes com grande perda de peso sem cirurgia.

Assim, os desafios da cirurgia de contorno corporal pós-bariátrico vão além do desenvolvimento técnico necessário para remover os grandes excessos de pele.

Em conjunto, as diferenças nas expressões proteicas, compõem um conjunto de alterações moleculares responsáveis ??pelas características clínicas observadas entre a flacidez pós-bariátrico e após grande perda de peso sem cirurgia.

Com isso, esse grupo de pacientes requer um planejamento terapêutico diferente e mais amplo, incluindo o gerenciamento das expectativas relacionadas ao resultado estético final.

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Quais as conclusões do estudo?

Inflamações crônicas em obesos mórbidos alteram significativamente as características da pele.

Embora a grande perda de peso pós-bariátrica seja capaz de minimizar ou interromper os danos da síndrome metabólica, há manutenção da deterioração cutânea.

Protocolos terapêuticos capazes de combinar ações anti-inflamatórias e suplementação proteica específica podem melhorar as condições clínicas da pele nesses pacientes, impactando nos resultados da cirurgia de contorno corporal.

Conclui-se que a flacidez pós-bariátrica produz grandes dificuldades para a cirurgia plástica. Nesse caso, é necessário um planejamento cirúrgico específico, bem como um trabalho em conjunto com o paciente para gerenciar suas expectativas.

O estudo apenas conseguiu a comprovação científica de algo que já era observado diariamente na prática clínica.

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Fontes:

1. Black MM, Bottoms E, Shuster S. Colágeno e espessura da pele na obesidade simples. Br Med J. 1971; 4: 149–150.

2.  Shipman AR, Millington GW. Obesidade e pele. Br J Dermatol. 2011; 165: 743-750.

3. Migliori FC, Robello G, Ravetti JL, et al. Alterações histológicas após cirurgia bariátrica: estudo piloto. Obes Surg. 2008; 18: 1305–1307.

4. Light D, Arvanitis GM, Abramson D, et al. Efeito da perda de peso após cirurgia bariátrica na pele e na matriz extracelular. Plast Reconstr Surg. 2010; 125: 343–351.

5. Veiga DF, Bussolaro RA, Kobayashi EY, et al. Glicosaminoglicanos da pele abdominal após perda maciça de peso em pacientes pós-bariátricas. Obes Surg. 2011; 21: 774-782.

6. Skin Protein Profile after Major Weight Loss and Its Role in Body Contouring Surgery.

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