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O Estresse e o Envelhecimento

por Dra. Marcela Scarpa

Após um longo dia de trabalho é comum imaginarmos que estamos envelhecendo rapidamente. Os ânimos costumam ser revigorados após uma boa noite de sono mas, infelizmente, embora o cansaço físico tenha sido resolvido, o desgaste emocional e fisiológico causado pelo estresse crônico pode resultar sérios prejuízos.

O fato é que, quando somos expostos a altos níveis de estresse, esse desencadeia uma série de alterações no organismo que têm, como uma de suas consequências, o indesejado envelhecimento. Veja a seguir!

Como o estresse afeta nosso corpo?

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Como resposta ao estresse, a glândula pituitária estimula a glândula supra-renal a produzir dois hormônios: adrenalina e cortisol. A adrenalina aumenta o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea. Já o cortisol (conhecido como hormônio do estresse) em sua ação normal, serve para auxiliar o organismo a reduzir as inflamações, contribuir para o bom funcionamento do sistema imune e manter constantes os níveis de açúcar no sangue e a pressão arterial.

Porém, em casos de exaustão prolongada, os níveis hormonais ficam constantemente elevados, resultando no aumento da frequência cardíaca e do nível de açúcar no sangue, diminuição da produção de insulina e constrição dos vasos sanguíneos. Como resultado final dessa cascata podemos ter a obesidade, diabetes, hipertensão, infarto, alteração do sono, queda de cabelo, dores musculares, imunossupressão, entre outros.

Mas por que isso acontece?

Um estudo de 2012 publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, realizado na Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, e liderado por Sheldon Cohen, identificou que a condição psicológica altera a capacidade do hormônio cortisol de regular a resposta inflamatória. Isso acontece porque o estresse prolongado diminui a sensibilidade do tecido ao hormônio. A inflamação fora de controle resulta no surgimento de inúmeras doenças.

Cohen descobriu que passar por um evento estressante por tempo prolongado está associado com a incapacidade das células do sistema imunológico de responder aos sinais hormonais que normalmente regulam a inflamação. O resultado são infecções frequentes, como resfriados e herpes labial.

Na pele, essa inflamação constante diminui a produção de colágeno, ocasionando rugas finas, manchas e flacidez. Além disso, também resulta no aumento de radicais livres, que atacam as células saudáveis da pele,  causando o envelhecimento.  

O envelhecimento precoce

Outro estudo, também publicado na revista especializada “Proceedings of the National Academy of Sciences”, em 2004, por cientistas da Universidade da Califórnia, já alertava sobre a interferência do estresse no envelhecimento das células humanas, inclusive nos mais jovens. De acordo com o artigo, o estresse contínuo afeta os telômeros (pequenas cápsulas do DNA responsáveis por protegê-lo de possíveis danos da divisão e replicação celular).

Estes naturalmente diminuem de tamanho durante a vida, até perderem sua funcionalidade. Como resultado deste processo temos o envelhecimento celular. – Veja mais sobre isso e como o exercício físico pode evitar o envelhecimento celular nessa matéria.  A exposição frequente ao estresse faz com que os telômeros fiquem menores precocemente. Assim, a reprodução celular torna-se menos confiável e aumenta-se o risco de enfermidades ocasionadas pelo envelhecimento prematuro.

Na pesquisa, mulheres na pré menopausa foram analisadas. Algumas foram expostas a altos níveis de estresse durante a vida e apresentavam uma década a mais de envelhecimento celular quando comparadas aquelas que não foram expostas. (Saiba mais sobre o estudo aqui) .

Em 2016, um novo estudo da Universidade de Duke, nos EUA, divulgou que essa interferência no genoma ocorre devido ao hormônio da adrenalina. Ao ser liberado (quando o indivíduo está em estado de tensão), esse hormônio pode diminuir a quantidade da proteína P53, responsável por proteger o genoma, inclusive em relação ao câncer (já que funciona como um sensor de danos ao cromossomo, e como um mecanismo auxiliar de reparação do DNA). (Saiba mais sobre essa pesquisa aqui).

Profissões mais estressantes

Com tantos efeitos nocivos à saúde, não é difícil imaginar que profissões mais estressantes estejam profundamente ligadas ao envelhecimento precoce.O site americano Busines Insider em parceria com o Instituto de Pesquisas de Mercado de Trabalho Bureau Labor Statistic, divulgou uma pesquisa realizada em 2016, sobre profissões mais estressantes que expõem seus profissionais a altos níveis de pressão psicológica, e até mesmo a ambientes hostis. O ranking foi construído a partir de pontuações de 0 a 100 correspondentes ao índice de estresse avaliados pelos próprios profissionais das áreas. Com o resultado, a pesquisa enumerou as profissões cujo índice apresentava pontuação igual ou superior a 93, sendo elas:

  • Atendente de polícia, bombeiro e de ambulância – 98,5
  • Anestesista – 98,2
  • Operador de telemarketing – 98,2
  • Dançarino – 97
  • Obstetra e ginecologista – 96,5
  • Cirurgião – 96,2
  • Piloto, copiloto de avião e engenheiro de aviação – 95,2
  • Cuidador – 95
  • Flebotomista (coleta de sangue) – 95
  • Comentarista e colunista de TV ou jornal – 94,7
  • Diretor de creche e de pré-escola – 94,2
  • Conselheiro de saúde mental – 94,2
  • Supervisor de polícia e detetive – 94
  • Operador de processos industriais – 94
  • Médico clínico geral – 94
  • Especialista em recuperação de detentos e oficiais de liberdade condicional – 94
  • Diretor de empresa – 93,8
  • Assistente de figurino – 93,5
  • Técnico em enfermagem – 93,5
  • Cirurgião dentista – 93,5

Achou interessante saber como o estresse atua em nosso corpo?

Acesse os outros textos dessa série sobre o Envelhecimento Precoce:

– Conhecendo o Envelhecimento Facial

– Fotoenvelhecimento: Como prevenir

– Exercício Físico pode desacelerar o Envelhecimento

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