Lipoenxertia Facial: como funciona, indicações, microfat e nanofat
O conteúdo descrito abaixo não tem como objetivo substituir a consulta médica, tem caráter informativo destinado aos indivíduos que tenham algum interesse em Cirurgia Plástica. Procure sempre um Cirurgião Plástico habilitado e devidamente registrado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (http://www.cirurgiaplastica.

A lipoenxertia facial é uma técnica que utiliza a gordura do próprio paciente para restaurar volume, melhorar o contorno e, dependendo da forma como esse tecido é preparado, contribuir para a qualidade da pele. Ela pode ser realizada isoladamente ou fazer parte do planejamento de uma cirurgia facial, como lifting, blefaroplastia ou lifting cervical.
O interesse pela lipoenxertia aumentou à medida que a compreensão sobre o envelhecimento da face também evoluiu. Hoje sabemos que envelhecer não significa apenas ter mais rugas ou excesso de pele. Ao longo dos anos, ocorre uma combinação de perda e deslocamento de gordura, alterações dos ligamentos, flacidez dos tecidos, mudanças na pele e remodelação das estruturas ósseas (se quiser ler uma matéria anterios sobre essas alterações, clique aqui).
Nesse contexto, a lipoenxertia facial pode ser uma ferramenta importante, principalmente quando existe perda de volume associada ao envelhecimento ou a outras alterações da face.
O que é a lipoenxertia facial?
A lipoenxertia facial é um procedimento no qual uma pequena quantidade de gordura é retirada de uma região do próprio corpo, como abdome, flancos ou coxas. Depois de coletada, a gordura é preparada e transferida para áreas específicas da face.
Essa gordura pode ser utilizada para restaurar volumes perdidos, melhorar o contorno facial, suavizar determinadas transições e corrigir algumas irregularidades ou assimetrias.
Uma das características interessantes da técnica é justamente permitir que pequenas quantidades sejam colocadas em locais específicos, respeitando a anatomia e as proporções individuais.
Para que serve a lipoenxertia facial?
A lipoenxertia pode ser indicada quando existe uma deficiência de volume que interfere no contorno ou nas proporções da face.
Entre as situações em que pode ser considerada estão:
Perda de volume facial
Com o envelhecimento, algumas regiões de gordura da face diminuem. Essa perda pode deixar o rosto mais emagrecido ou criar depressões e transições mais marcadas entre diferentes regiões.
A reposição cuidadosa desse volume pode ajudar a recuperar parte da aparência que foi perdida sem necessariamente deixar o rosto mais cheio.
Têmporas escavadas
A região das têmporas pode perder volume com o passar dos anos, tornando-se mais côncava e criando uma transição mais evidente entre a face e o couro cabeludo.
Quando existe uma verdadeira deficiência de volume nessa região, a lipoenxertia pode ser uma opção.
Perda de volume das maçãs do rosto
A região malar, correspondente às maçãs do rosto, pode sofrer alterações de volume e posição ao longo do envelhecimento.
A restauração cuidadosa desse volume pode melhorar a transição entre a região dos olhos e o terço médio da face, contribuindo para um contorno mais harmônico.
Olheiras e alterações de volume ao redor dos olhos
Em pacientes selecionados, pequenas quantidades de gordura podem ser utilizadas para tratar determinadas depressões da região periorbitária e encovamento dos olhos.
Essa é uma das áreas que exigem maior cuidado. A região ao redor dos olhos possui anatomia delicada, e nem toda olheira é causada por falta de gordura.
Em alguns pacientes, a causa pode estar relacionada à anatomia da órbita, à qualidade da pele, à sombra produzida pelo relevo ósseo ou à posição dos tecidos.
Face muito emagrecida
Pacientes que passaram por emagrecimento importante podem apresentar redução significativa do volume facial. Nesses casos, a lipoenxertia pode fazer parte de uma estratégia de recuperação de determinados volumes.
Assimetria facial
Pequenas diferenças de volume entre os dois lados do rosto também podem ser tratadas com gordura, quando existe indicação.
Irregularidades após cirurgias ou traumas
Em situações selecionadas, a gordura pode ser utilizada para melhorar irregularidades de contorno ou áreas que apresentam deficiência de volume após procedimentos anteriores ou traumas.
Qual é a diferença entre microfat e nanofat?
Microfat e nanofat são preparados de maneira diferente e têm objetivos diferentes.
O microfat preserva pequenos fragmentos de tecido adiposo contendo células íntegras de gordura. Por isso, seu principal objetivo é a restauração de volume e melhora do contorno.
Ele pode ser utilizado em regiões como têmporas, terço médio da face, determinadas depressões e áreas selecionadas ao redor dos olhos.
O nanofat, por outro lado, passa por um processamento adicional, que envolve fragmentação e emulsificação da gordura, seguida de filtragem. Durante esse processo, a grande maioria das células maduras de gordura é rompida.
Por isso, o nanofat não é utilizado para volumizar a face. Seu interesse está nos componentes do tecido adiposo que podem contribuir para a qualidade dos tecidos e da pele.
De maneira simples:
Microfat = principalmente restauração de volume.
Nanofat = principalmente qualidade dos tecidos.
Em alguns pacientes, os dois podem ser utilizados no mesmo planejamento, já que atendem a necessidades diferentes.
Como o nanofat melhora a qualidade da pele?
O nanofat vem sendo estudado para situações relacionadas à qualidade da pele, incluindo alterações de textura, pele fina e atrófica, algumas irregularidades de superfície, cicatrizes e sinais relacionados ao fotoenvelhecimento.
Na face, pode ser considerado em pacientes que apresentam alterações da qualidade dos tecidos associadas ao envelhecimento.
A região dos olhos é particularmente interessante porque a pele das pálpebras é muito fina e pode sofrer mudanças importantes ao longo dos anos. Em pacientes selecionados, o nanofat pode fazer parte de um planejamento para melhorar a qualidade dos tecidos dessa região.
Mas o nanofat é tratamento com células-tronco?
Não exatamente.
O tecido adiposo contém células com características progenitoras, além de outros componentes biologicamente ativos. Isso levou à realização de diversos estudos sobre seu potencial regenerativo.
Entretanto, aplicar nanofat não é o mesmo que realizar uma terapia com células-tronco isoladas ou cultivadas.
Por isso, é mais correto entender o nanofat como uma técnica que utiliza componentes do tecido gorduroso do próprio paciente, com potencial de contribuir para a qualidade dos tecidos, e não como uma terapia celular tradicional.
Essa diferença também ajuda a evitar expectativas exageradas em relação ao procedimento.
Microfat e nanofat podem ser usados juntos?
Sim.
Um mesmo paciente pode apresentar perda de volume e alterações da qualidade da pele ao mesmo tempo.
Imagine, por exemplo, uma pessoa com têmporas mais escavadas e perda de volume nas maçãs do rosto, mas que também apresenta pele fina e envelhecida em determinadas regiões.
Nesse caso, o microfat pode ser utilizado para restaurar volume, enquanto o nanofat pode ser considerado em áreas nas quais o objetivo seja trabalhar a qualidade dos tecidos.
Assim, as duas técnicas não competem entre si: elas são complementares.
A lipoenxertia facial pode ser feita junto com lifting?
Sim.
A lipoenxertia facial pode ser realizada isoladamente ou associada a cirurgias faciais.
No facelift, por exemplo, o objetivo principal é reposicionar os tecidos que sofreram queda e melhorar a flacidez. Se também existir perda de volume, a lipoenxertia pode complementar o procedimento, restaurando-os.
Essa associação é importante porque reposicionar tecidos e recuperar volume são coisas diferentes.
O lifting melhora a posição dos tecidos. A gordura recupera determinados volumes perdidos. Quando há indicação para ambos, o tratamento conjunto pode proporcionar um resultado mais completo.
A lipoenxertia pode substituir um lifting facial?
Não necessariamente.
A lipoenxertia restaura volume, mas não tem como objetivo principal corrigir a queda dos tecidos.
Quando existe excesso de pele, flacidez importante, queda do terço médio, alteração do contorno mandibular ou flacidez cervical, pode ser necessário um procedimento de reposicionamento, como o lifting facial ou cervical.
Em alguns pacientes, portanto, a melhor estratégia não é escolher entre lifting e lipoenxertia. É compreender que cada técnica trata uma parte diferente do processo de envelhecimento.
A gordura enxertada dura para sempre?
Não é possível garantir que toda a gordura enxertada permaneça.
Após a lipoenxertia, uma parte do tecido pode ser reabsorvida pelo organismo. A quantidade que permanece é variável e depende de diversos fatores, incluindo a técnica utilizada, o processamento da gordura, a região tratada e as características individuais do paciente.
Por isso, não existe uma quantidade exata de gordura que possa ser colocada esperando que todo o volume permaneça.
Também não é adequado simplesmente colocar gordura em excesso para compensar uma possível reabsorção.
Principalmente em regiões delicadas, como ao redor dos olhos, o excesso de volume pode produzir um resultado artificial.
A lipoenxertia facial pode deixar o rosto muito cheio?
Pode, se houver excesso de indicação ou de volume.
O envelhecimento envolve perda de volume, mas também deslocamento dos tecidos, flacidez, alterações da pele, mudanças dos ligamentos e remodelação das estruturas ósseas. Não é possível corrigir todas essas alterações apenas com acréscimo de gordura.
O resultado desejado é preservar a identidade do paciente e recuperar proporções e transições que foram modificadas ao longo do tempo.
A lipoenxertia facial é segura?
Como qualquer procedimento cirúrgico, a lipoenxertia facial apresenta riscos e precisa ser indicada e realizada de maneira criteriosa.
A face possui uma anatomia vascular complexa, com vasos e estruturas importantes distribuídos em diferentes planos. A região ao redor dos olhos exige atenção especial devido à proximidade com estruturas orbitárias e vasculares.
Por isso, a segurança não depende apenas do material utilizado. A avaliação do paciente, o conhecimento da anatomia facial, a técnica de coleta e processamento da gordura e a forma de aplicação são fundamentais.
Também é importante compreender que utilizar a própria gordura não significa que o procedimento seja isento de riscos.
O nanofat substitui laser, radiofrequência ou outros tratamentos?
Não.
O envelhecimento da pele é multifatorial, e diferentes tratamentos atuam sobre diferentes características.
Laser, radiofrequência, ultrassom, peelings, tratamentos tópicos e outras tecnologias podem ter indicações específicas para rugas, manchas, textura ou flacidez.
O nanofat pode eventualmente fazer parte de um tratamento combinado, mas não deve ser considerado um substituto universal dessas técnicas.
Da mesma forma, quando existe excesso de pele ou queda dos tecidos, o nanofat não substitui uma cirurgia.
O tratamento deve ser individualizado
Cada rosto envelhece de uma maneira diferente e, por isso, não existe uma única técnica ou combinação de procedimentos que possa ser indicada para todos. A lipoenxertia facial pode ser realizada isoladamente ou associada a outras cirurgias, como blefaroplastia, lifting facial ou lifting cervical, quando houver indicação. Da mesma forma, microfat e nanofat podem desempenhar funções diferentes e, em situações selecionadas, ser utilizados de maneira complementar. Quando bem planejada, a combinação de técnicas permite tratar diferentes aspectos do envelhecimento de forma integrada, buscando um resultado mais completo, equilibrado e natural.
Essa definição exige uma avaliação cuidadosa e deve ser feita por um médico especialista, com conhecimento aprofundado da anatomia facial e experiência nas técnicas propostas. Mais do que escolher um procedimento, é preciso compreender quais estruturas se modificaram com o passar dos anos e o que deve ser abordado.
Se você percebe mudanças no volume, no contorno ou na qualidade da pele do rosto, uma consulta é o momento de avaliar essas alterações de forma individualizada e entender quais possibilidades são realmente adequadas ao seu caso.
Este texto é de autoria da Dra. Marcela Benetti Scarpa e toda e qualquer forma de reprodução e/ou veiculação somente será permitida mediante prévia autorização por escrito e com indicação de fonte, do contrário, poderá consistir em violação de direitos autorais, conforme a Lei 9.610/98, passível da adoção das medidas cíveis e criminais pertinentes. Para mais informações, acessem nossa Política de Proteção aos Direitos Autorais.


