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O que é uma Contratura Capsular e como tratar?

O Que é Uma Contratura Capsular e Como Tratar?

por Dra. Marcela Scarpa

Você conhece o termo contratura capsular? Sabemos que as cirurgias plásticas, mesmo realizadas por cirurgiões conceituados, podem apresentar complicações durante ou após o processo cirúrgico. Além do profissional e da técnica cirúrgica, o corpo tem características únicas e próprias, sendo também responsável por determinar o sucesso de cada cirurgia.

No caso da contratura capsular, como o próprio termo sugere, existe a formação de uma espécie de “cápsula de proteção” em torno do implante.

O que é uma Contratura Capsular e como tratar?
Contratura Capsular.

cápsula é considerado fenômeno normal durante a evolução de um pós operatório tardio de inclusão de prótese mamária. Ocorre como um mecanismo de defesa do organismo ao corpo estranho que ela representa. É um fenômeno natural, em que há deposição de tecido conjuntivo ao redor de materiais sintéticos. Essa ação de defesa do sistema imunológico produz uma espécie de cicatriz. É fácil assim compreender que, quanto mais intensa a resposta do organismo, maior a fibrose (cicatriz) local, e menor sua elasticidade.

contratura capsular é sua complicação mais frequente, tendo incidência próximo a 70% em mulheres com implantes há mais de 20 anos, contra 5% em cirurgias realizadas há menos de 5 anos.

O que é uma Contratura Capsular e como tratar?
Exemplos de formação de cápsula cicatricial em prótese de silicone

Segundo pesquisa realizada pela American Society Of Plastic Surgeons (Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos ) publicada em junho de 2018, uma a cada seis pacientes podem apresentar algum grau de contratura capsular, de maior ou menor intensidade.

É classificada em 4 graus, segundo Baker (cirurgião norte americano). Essa classificação é utilizada amplamente pelos cirurgiões plásticos ao redor do mundo:

  • 1º grau (ou Baker I): a contratura capsular é assintomática. Não ocorre alteração de tamanho, forma ou textura dos seios, mantendo aparência natural e suave ao toque.
  • 2º grau (ou Baker II): a paciente apresenta sintomas menores, como alterações ao toque ou sensibilidade discretos. Apesar disso, a aparência é normal.
  • 3º grau (ou Baker III): os sintomas tornam-se mais proeminentes, e os seios tornam-se firmes ao toque e com aparência anormal (como assimetrias e deslocamentos).
  • 4º grau (ou Baker IV): as alterações encontradas no grau 3 são mais proeminentes, acrescidos de dor e assimetria grave.

O que provoca a contratura capsular?

As principais causas descritas são:

  • hematomas
  • contaminação ou colonização do implante durante a cirurgia
  • próteses muito antigas
  • ruptura da prótese
  • doenças auto-imunes
  • idiopática (sem causa conhecida)

As duas primeiras são evitáveis e podem ser controladas, através de uma técnica cirúrgica apurada e seguimento adequado das recomendações pós operatórias pela paciente.

Como evitar e tratar a contratura capsular?

Existem algumas maneiras de reduzir o risco de desenvolver a contratura capsular, como:

  • Triagem completa do paciente;
  • Implante com tamanho adequado;
  • Uso de implantes texturizados, ao invés de superfícies lisas;
  • Implantação da prótese em plano submuscular (abaixo do musculo peitoral)
  • Medidas profiláticas para infecção (uso de antibióticos pós operatório e medidas intra-operatórias)
  • Revisão de sangramentos durante a cirurgia
  • Massagem específica nos seios durante processo de cicatrização.

Qual o tratamento para contratura capsular?

De modo geral, contraturas nos graus I e II são passíveis de tratamento clínico com massagem, ultrassom ou medicação via oral (sempre sob orientação do seu médico).

Já contraturas em graus mais avançados, Baker III e IV, são de tratamento essencialmente cirúrgico. Este pode ser realizado pela retirada de total a ou parcial da cápsula (capsulectomia), por incisões relaxadoras realizadas no tecido cicatricial (capsulotomia) e/ou mudança do plano do implante. A troca do implante é geralmente recomendada.

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